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Natural, orgânica e vegana: conheça a beleza da Ekilibre Amazônia

Instalada em Santarém, no oeste do Pará, a empresa produz cosméticos com insumos amazônicos, livres de metais pesados e sem testes em animais. A empresa é uma das que integram o Programa de Qualificação para Exportação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (PEIEX/Apex-Brasil), gerenciado no estado do Pará pelo Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá

No laboratório da Ekilibre Amazônia açaí, bacuri, murumuru, andiroba, copaíba, cupuaçu, jambu e outros insumos da biodiversidade amazônica se transformam em sabonetes, manteigas corporais, óleos, shampoos, produtos de higiene bucal e de cuidado para o corpo. Biodegradáveis, veganos, sem testes em animais, livre de corantes, fragrâncias artificiais e compostos sintéticos como parabenos, derivados do petróleo e metais pesados, os produtos da marca atendem a um crescente nicho de mercado – o de beleza natural.

A empresa foi criada em 2011, às margens do rio Tapajós, no distrito de Alter do Chão, em Santarém, após uma longa viagem realizada por seu fundador, Kairós Kanavarro, pelo continente americano. “Enquanto visitava os países das Américas do Norte, Central e Sul observei que, apesar de tanta diversidade, a maioria dos produtos de higiene disponíveis eram produzidos pela mesma holding, com fórmulas iguais, todas contendo nomes ininteligíveis. Quando fui pesquisar me assustei com o fato de serem sintéticos com uma perigosa relação com a saúde e o meio ambiente. Lembro que pensei ‘como alguém pode defender o meio ambiente, cuidar da saúde e beleza se não sabe nem mesmo o que passa no próprio corpo?, Percebi a importância da coerência do discurso e da vida cotidiana e lembrei: ‘preciso ser a mudança que eu desejo para o mundo’. Na maioria das vezes eu olhava pra fora e refletia sobre os meus sonhos de mudanças, a partir do mundo externo. Naquela viagem percebi que a história era mais profunda e pessoal, de dentro pra fora”, conta Kairós.

Produção sustentável e artesanal – A Ekilibre Amazônia utiliza matéria prima e mão de obra locais.  A produção é realizada sem a contaminação do solo, dos lençóis freáticos, dos rios e o sistema de saneamento do laboratório é ecológico. A água negra, efluente resultante da produção, passa por um processo de filtragem e é devolvida em forma de vapor para a atmosfera; a água cinza passa por um filtro natural composto por carvão, pedras, entulho, madeira e folhas, sendo utilizada na irrigação do terreno em que a empresa é sediada.

Contam ainda com um sistema de gerenciamento de seus resíduos sólidos orgânicos: todo material utilizado é armazenado e, após sua compostagem, é usado para enriquecer o solo e as frutíferas da sede.

Sabonetes e shampoos em barra são envoltos em um tecido, com uma folha desidratada, para evitar o uso de embalagens plásticas e estudos são realizados com frequência para diminuir a geração de lixo.

O grande diferencial da Ekilibre é a proximidade que a marca traz entre o seu consumidor e a floresta, pois os produtos são concentrados, puros e de formulação simples. A alta performance dos bioativos da Amazônia são os grandes protagonistas dos resultados observados”, afirma Kairós.

Consumo consciente e o slow beauty – Estudiosos argumentam que, na história recente, houve dois marcos do fenômeno conhecido como aceleração temporal (sensação de estarmos eternamente atrasados no cumprimento de nossas tarefas do dia a dia): o primeiro teve início no século XIX, entre 1880 e 1920, com o advento das máquinas e da industrialização; e o segundo com a revolução digital no final da década de 80 e início da década de 90, também marcada pelo consumo desenfreado de produtos e/ou serviços.

O termo slow surge, portanto, com sentido semântico contrário à aceleração temporal observada em várias áreas da vida social, se traduzindo como uma crítica ao paradigma técnico-industrial. Há o registro do slow foodslow fashionslow science e, no campo da beleza, o slow beauty.

No slow beauty os consumidores evitam usar produtos altamente industrializados, com parabenos e sulfatos, levando em consideração os possíveis efeitos negativos no corpo e o descarte dessas substâncias na natureza. A opção pelo movimento inclui ainda o menor consumo de cosméticos, o uso de refis e produtos com embalagens mais simples, biodegradáveis ou reutilizáveis.

Beleza tipo exportação – Segundo relatório da Grand Review Research, o mercado global orgânico de cuidados pessoais deverá atingir US$ 25,11 bilhões até 2025. A Ecovia Intelligence (antiga Organic Monitor), empresa especializada em pesquisa, consultoria e treinamento que se concentra em indústrias globais de produtos éticos, aponta que o Brasil e toda a região sul-americana tornaram-se uma importante fonte de ingredientes orgânicos, mas a região gera menos de 5% das receitas globais de cosméticos naturais e orgânicos.

Parabenos, petrolatos, sulfatos, silicones, BHA, BHT, formaldeídos, plásticos, PEGs são algumas das substâncias frequentemente encontradas em produtos de higiene e beleza à venda em farmácias e mercados. Liberados no Brasil, parte destes componentes são proibidos em países da Europa e nos Estados Unidos por conta de riscos que representam para a saúde humana. Alguns contêm ativos cancerígenos, desreguladores hormonais e alto potencial alergênico.

Neste contexto, nos últimos 18 meses a Ekilibre Amazônia começou a expandir a sua atuação, se aproximando de mercados como Inglaterra, Portugal, Áustria e Austrália. Estão em negociação avançada para uma primeira exportação direcionada à França.

PEIEX/Apex-Brasil – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. O Programa de Qualificação para Exportação é implementado em todas as regiões do país, por meio de instituições de ensino (universidades, parques tecnológicos ou Fundações de Amparo à Pesquisa) ou Federações de Indústria. São os parceiros da Apex-Brasil que aplicam a metodologia do PEIEX na qualificação das empresas.

No Pará, desde 2016 o programa é executado pela Fundação Guamá, organização responsável pela gestão do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá. Em dezembro de 2018, além da região metropolitana de Belém, o programa passou a atender as cidades de Marabá e Santarém, podendo ser estendido a um raio de até 100 km dos polos. A metodologia foi renovada, sendo direcionada mais para a prática da exportação.

PCT Guamá – Resultante da parceria entre as Universidades Federal do Pará (UFPA) e Federal Rural da Amazônia (UFRA) e o Governo do Pará, o PCT Guamá foi o primeiro e permanece como único parque tecnológico a entrar em operação na Amazônia.

Tem como principal objetivo, estimular a pesquisa aplicada, o empreendedorismo inovador, a prestação de serviços e a transferência de tecnologia para o desenvolvimento de produtos e serviços de maior valor agregado e fortemente competitivos.

Situado entre a UFPA e a UFRA, em uma área de 72 mil metros quadrados, reúne centros e laboratórios tecnológicos, empresas, startups e instituições, iniciativas ligadas principalmente às áreas estratégicas de atuação, que são Biotecnologia; Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC); Energia; Tecnologia Ambiental e Tecnologia Mineral.

Referências

BALOCCO, A.E. Novas Narrativas do Contemporâneo: uma análise crítica do discurso do movimento slow. Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, SC, v. 12, n. 2, p. 393-414, maio/ago. 2012

BIZ, Eduardo. A principal tendência da atualidade: entenda a urgência do Lowsumerism. Ponto Eletrênico, disponível em: http://pontoeletronico.me/2015/lowsumerism-entenda/. Acessado em 6 ago. 2019.

MENDONÇA, Estela. Crescimento dos cosméticos naturais, orgânicos, veganos e éticos é tendência irreversível. 2018. Disponível em: https://www.cosmeticinnovation.com.br/crescimento-dos-cosmeticos-naturais-organicos-veganos-e-eticos-e-tendencia-irreversivel/. Acesso em: 6 ago. 2019.

Texto: Juliane Frazão
Fotos: Ekilibre Amazônia

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